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Empatia não é ser boazinha, é entender que a sua opinião também pode estar errada

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
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Por muito tempo eu achei que empatia era saber ouvir. Não interromper. Concordar às vezes. Tentar entender o lado do outro.


Mas isso, na prática, ainda é confortável. O difícil mesmo é outra coisa: é estar no meio de uma conversa, achando que você está certa e considerar, de verdade, que talvez você não esteja.


Não como educação. Não como estratégia. Mas sustentar essa possibilidade enquanto a conversa ainda está acontecendo, enquanto você ainda está com raiva, com expectativa, com aquela vontade enorme de provar o seu ponto.


Porque quando a gente está envolvida de verdade, a tendência é defender. A gente escuta, mas já pensando na resposta. Interpreta, mas filtrando pelo que já acredita. E aí não é empatia é só uma versão mais educada de querer ganhar.


Eu percebi isso em mim algumas vezes. Principalmente quando eu tinha certeza demais. Quando eu já sabia o que a pessoa "quis dizer" antes dela terminar a frase. Quando eu já estava pronta pra responder enquanto ela ainda estava falando.


Nesses momentos, o problema não era que eu não estava escutando. Era que eu não estava duvidando.


E duvidar de si mesma no meio de uma conversa é desconfortável. A gente não aprende isso em lugar nenhum. Ninguém ensina que segurar a vontade de estar certa também é uma forma de cuidar da relação.


Hoje eu entendo empatia de um jeito diferente. Não é sobre ser uma pessoa mais gentil ou mais paciente. É sobre abrir espaço real pra outra leitura existir — mesmo quando a sua parece óbvia.


Nem sempre a outra pessoa vai estar certa. Mas eu também não estou sempre. E só essa consciência já muda a forma como eu converso. Quando você admite que pode estar errada, você escuta diferente. Pergunta melhor. Reage menos. Entende mais rápido o que realmente está acontecendo e para de transformar toda conversa em disputa.


Com o tempo, fui percebendo que isso foi se tornando algo muito meu.


Mediar conflito, encontrar o meio do caminho, conseguir enxergar os dois lados sem perder o meu, virou o meu superpoder. Não foi algo que eu planejei desenvolver. Foi acontecendo à medida que eu fui me permitindo errar, duvidar e ouvir de verdade.


No fim, empatia não é sobre ser boazinha. É sobre construir relações onde duas verdades podem existir sem que uma precise apagar a outra.


Me diz você concorda ou discorda desse texto?


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