A rede, o medo e a menina de 9 anos
- há 2 dias
- 2 min de leitura

Quando eu era criança, na casa onde cresci, tinha uma rede. E eu também era uma criança gorda. Um dia, eu e minha prima estávamos brincando nessa rede. Daquelas brincadeiras bem bobas, sabe? A gente se jogava, balançava com força, ria… até que, em um desses movimentos, o gancho simplesmente saiu da parede. A rede caiu. E junto com ela, caiu algo dentro de mim também.
Eu devia ter uns nove anos. E, depois daquele dia, nunca mais deitei em uma rede.
Os anos passaram. Cresci. Me mudei. E, já adulta, em um janeiro cheio de promoções, comecei a ver redes por todos os lados. Aquilo ficou na minha cabeça. Um dia, conversando com um amigo que faz pequenos reparos aqui em casa, criei coragem e perguntei:
Na loja, vi uma rede para casal. E pensei: “Se aguenta duas pessoas, aguenta a mim também.” Comprei.
No dia da instalação, falei pra ele:
— Eu não vou testar com você olhando. Se essa rede arrebentar, eu não quero passar essa vergonha. Ele, magrinho, testou. Tudo certo. Foi embora.
E aí ficou só eu… a rede… e aquela menina de 9 anos. Mesmo sabendo que a rede era resistente, que a parede estava firme, que tudo estava certo… o medo não era sobre a rede. Era sobre mim. Sobre aquilo que eu passei a acreditar depois daquele dia.
Criei coragem. Sentei.
E… nada aconteceu. Nada:
A rede não arrebentou. A parede não caiu. O mundo não desabou.
E, naquele momento, eu abracei aquela menina de 9 anos que acreditou que o problema era o corpo dela, quando, na verdade, era só uma brincadeira boba, um gancho mal colocado, um acidente.
Hoje, todos os dias, quando chego do trabalho, eu vou até a minha varanda, coloco minha rede e deito nela. Ela virou um lugar especial.
Mas não só ali. Dentro do meu quarto, eu também fiz um cantinho só para ela. Um lugarzinho especial na parede, pensado com carinho, onde a rede sempre pode estar, como um lembrete constante da minha história.
Sempre que eu olho pra ela, eu lembro daquela menina. E me lembro também de tudo que eu precisei atravessar para chegar até aqui.
Porque a verdade é que, muitas vezes, o que fica na gente não é o fato real: é a culpa, é a vergonha, é o medo que a gente aprende a carregar.
Mas nem sempre ele é sobre quem a gente é.
Então, amigas, eu quero dizer uma coisa pra vocês: comprem a rede. Vivam seus medos. Porque, às vezes, o que a gente mais precisa não é ter certeza… é só sentar e descobrir que nada vai acontecer.
E, quando nada acontecer… você vai perceber que nunca foi sobre o seu peso, o seu corpo ou a sua capacidade. Era só medo ocupando um espaço que sempre foi seu.
E a vida começa exatamente no momento em que você decide ocupar esse lugar de novo.
Na foto, estou usando o macacão Ivone, que junto a essa rede maravilhosa, abraça meu corpo e me deixa livre para sentir tudo! Se quiser essa peça, use meu desconto: JXULIZ10




Que história forte, parabéns pela superação , pela força e incentivo a todas nós 😘