A cultura fitness trata o corpo como categoria?
- há 1 dia
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Relato de uma gorda na academia (trazendo uma vivência de um padrão que se repete)

Antes de contar o que aconteceu, preciso deixar algo claro: não é todo profissional que age assim. A academia onde estou treinando agora, inclusive, tem ótimos aparelhos, boa estrutura e tenho gostado bastante do espaço.
Mas como mulher gorda, já vivi situações parecidas em diferentes academias ao longo dos anos. O episódio recente só escancarou um padrão que se repete.
Fui ajustar a máquina de abdominal e já estou acostumada a executar o movimento, mas queria só confirmar a forma correta, pois é um espaço novo.
Perguntei a um professor como fazer e ele me respondeu que eu não podia fazer aquele exercício, foi logo falando sobre gordura visceral, déficit calórico e disse que eu deveria fazer esteira e tirar lombar do meu treino.
Eu expliquei que o exercício era para fortalecimento e que meu treino tinha sido passado pelo meu irmão, que é educador físico! E diga-se de passagem, treino há mais de um ano, e claro: ele não tinha perguntado nada disso.
Foi uma sequência automática: viu meu corpo, concluiu meu objetivo e prescreveu antes de entender o contexto. Esse episódio revela um padrão: a cultura fitness trabalha por atalhos mentais.
O corpo é lido como diagnóstico.
A partir dessa leitura, aplica-se um protocolo padrão.
Corpo acima do peso ativa a narrativa do emagrecimento.
Emagrecimento ativa a ideia de déficit.
Déficit leva à esteira.
E qualquer exercício fora desse roteiro vira erro.
Essa lógica elimina variáveis básicas: histórico, objetivo, função, autonomia. O corpo passa a ser tratado como categoria, não como indivíduo! Treino há tempo suficiente para saber o que estou fazendo e qual o limite do MEU corpo, o exercício tinha função clara no meu planejamento. A conversa poderia ter começado com uma pergunta simples: “Qual é o seu objetivo com esse exercício?” Ela nunca veio!
Quando a escuta não acontece, o cuidado vira projeção e esse padrão ultrapassa a academia! E isso acontece na medicina, na liderança, na escola, no trabalho. Sempre que alguém é encaixado antes de ser ouvido, a orientação perde precisão. Profissionais passam a agir sobre suposições em vez de dados.
A questão central não envolve sensibilidade excessiva, isso envolve competência técnica e a prescrição exige diagnóstico correto.
E diagnóstico exige pergunta.
Pergunta exige escuta.
A diferença entre orientar e projetar é sutil, mas determina a qualidade do cuidado. Entre orientar e projetar existe uma diferença invisível.
Enfim, julgada pelo meu perfil antes de ser ouvida? Sim.
Reduzida a uma categoria? Muitas vezes.
Mas feia? Nunca.
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Eh bizarro o quanto tiram conclusões só de olhar nossos corpos né? Pessimo profissional!
Minha querida MUSA RENASCENTISTA, sinto muito que você tenha passado por essa tipo de situacão, infelizmente é mais comum do que desejamos né!? Você ainda foi muito educada, eu teria deixado falando sozinho. É por comportamentos assim, que muitas de nós deixam de treinar, e a academia acaba sendo um espaço "agressivo" para quem estar buscando qualidade de vida. Muito bom você deixa claro, que nem todos os profissionais são assim ...Eu posso dizer que hoje em dia, tive sorte, malho num espaço que os professores atuais, SEMPRE perguntam objetivos, problemas de saúde e etc. E o meu treino é passado de acordo com meu interesse. Já uma diferença ENORME entre profissional e PROFISSIONAL. Mais uma vez, eu sinto muito.…